Jovem usa web para denunciar padrasto por tortura e estupro

Eva Luana, uma jovem de 21 anos, que mora no município de Camaçari, na região metropolitana de Salvador, relatou em cinco posts no Instagram ter sido submetida a cenas de estupro, tortura, humilhação e violência pelo padrasto durante 8 anos.

O homem foi preso desde o dia 13 de fevereiro e, segundo a Polícia Civil, nega as acusações.

A jovem chegou a ter que dormir na casa do cachorro, comer o próprio vômito e ser espancada, além dos estupros e tortura psicológica. “Existiam castigos e punições pra tudo. Até mesmo se eu não pagasse uma conta no banco que estava super lotado, mesmo tendo horários no trabalho ou estágio. Meu celular era vistoriado todos os dias a noite”, escreveu a jovem em um dos posts.

Eva Luana da Silva contou que o “caos” teve início quando ela estava com 12 anos. Ela conta que a mãe era constantemente vítima do padrasto e que, depois, ela passou a ser alvo dele também.

“Minha mãe era agredida, abusada, violada e torturada quase todos os dias. Meu padrasto era obsessivo e ciumento com ela. Resumindo de uma maneira geral, ela era agredida com chutes, joelhadas, objetos. Era abusada sexualmente de todas as formas possíveis. Era obrigada a tomar bebidas até vomitar e quando vomitava tinha que tomar o próprio vômito como castigo. Ele começou a me abusar sexualmente. Eu tinha nojo, repulsa, ódio e não entendia porque aquilo acontecia comigo. Me sentia uma criança estranha e diferente das outras”, contou a Eva.

A jovem chegou a ser dada como desaparecida, mas conseguiu apresentar a denúncia e divulgou o relato nas redes sociais. Eva disse já ter procurado ajuda quando tinha 13 anos e á sofria esses abusos há 1 ano, mas sua denúncia não deu em nada, na época.

“Quando eu fiz 13 anos denunciei. Nessa denúncia eu tinha certeza que seria salva por todos.  Mas não foi isso que aconteceu.  O Estado falhou a tal ponto que o meu caso não chegou nem ao Ministério público.  Fui obrigada a retirar a queixa por ameaças do meu padrasto.  Ele utilizou o poder financeiro pra comprar a liberdade e comprar a minha alma. Porque ali eu perdi a minha alma. E o que eu fui denunciar,  1 ano de sofrimento, se multiplicou em mais 8 anos”, contou.

“Desde então os abusos, torturas e todo tipo de agressão foram aumentando dia após dia, ano após ano. Eu não tive mais vida social. Tudo era uma farsa. Ele nos obrigava a fingir que tínhamos uma família perfeita.  As agressões eram verbais, físicas e psicológicas.  Entre elas comer muito, em tempo estipulado, isso aconteceu com uma pizza família, pra comer inteira em 10 minutos.  Óbvio que não conseguimos. Tb tomar 2 litros de refrigerante nesses 10 minutos.. Eu levei socos no rosto e ele não me deixava me proteger com a mão. Chutes até cair no chão e de 4 ele enfiou as pizzas na minha boca me chamando de animal, eu vomitei e comi meu próprio vômito.  Meu gato comeu um pedaço e lambeu outro, ele me obrigou a comer o que ele havia lambido. Eu apanhei a noite toda e no outro dia eu tinha que fingir que nada havia acontecido”.

De acordo com a titular da Delegacia da Mulher em Camaçari (Deam), Florisbela Rocha o padrasto, identificado como Thiago Alves, está detido desde o dia 13 de fevereiro para investigação do caso.

O secretário de Habitação de Camaçari, Junior Borges, divulgou uma nota de repúdio sobre o ocorrido e afirmou que a pasta está acompanhando de perto o caso. “Pela aproximação conquistada com a garota Eva Luana, o secretário Júnior Borges, junto com a Sehab, tem acompanhando e estado atento à todas as informações sobre o caso, prestando solidariedade e dando todo o apoio possível para que esta terrível tragédia na sua vida tenha as menores consequências possíveis e que Eva possa seguir a sua vida com segurança, respeito e alegria”, afirmou, por meio de nota.

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