Um belo capítulo da história do rádio grapiúna

Ricardo-Ribeiro
  Ricardo Ribeiro é advogado e editor do BAHIA 24 HORAS.

A ditadura militar vivia seus estertores no Brasil quando um grito pela democracia surgiu onde menos se esperava: um ambiente no qual só se costumava levantar a voz para gritar gol ou xingar a mãe do árbitro. Era a célebre “Democracia Corinthiana”, que reuniu ícones como Sócrates e Casagrande e mudou radicalmente a gestão no clube do Parque São Jorge, onde quase tudo passou a ser decidido no voto.

Se naquela época do “prendo e arrebento” foi possível vencer o mandonismo dos cartolas corinthianos, o que dizer dos dias atuais? A “Democracia Corinthiana” foi um sintoma do que já acontecia nas ruas naquele início dos anos 80 e se traduziria em tantas manifestações contra a repressão, na luta pelo voto direto e, alguns anos depois, na mobilização pelo impeachment do presidente corrupto.

Para mim, sempre foi emocionante ver o oprimido dar a volta por cima, principalmente quando a classe se une para enfrentar a truculência. Eu vi (ou melhor, ouvi) isso no dia 7 de março, quando sintonizei a Rádio Difusora de Itabuna logo cedo e me surpreendi com o desabafo de Oziel Aragão, Fábio Souza, Orlando Cardoso, com as lágrimas de Silmara Sousa… Em seguida, com a paralisação na emissora.

A demonstração de solidariedade ao companheiro humilhado e demitido comoveu quem já não acreditava na possibilidade de ver nada tão nobre nesse meio. Que grata surpresa, misturada com emoção de fazer marejar os olhos e crer que nem tudo está perdido. Dez dias depois, que desfecho fantástico, que belíssima vitória da humildade, do companheirismo e da solidariedade.

O que ocorreu neste mês de março em Itabuna foi algo que não pode jamais ser esquecido. Faz 20 anos que o jornalismo me arrebatou e levou a presenciar e registrar alguns importantes capítulos da história dessa cidade. Poucos tão inspiradores como o que agora foi escrito pelos comunicadores da Difusora.

Como disse um importante radialista de Itabuna, foi a vitória da coerência e da união. Isto é, perdeu quem tentou, a la Maquiavel, dividir para reinar em meio a discórdia e comandar com mão de ferro, quando os tempos exigem diálogo e respeito.

Fonte: Plantão Itabuna

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